11.6.18

Reação em cadeia


A água que escorreu freneticamente pelos meus olhos ontem a noite
já foi:
parte do oceano, rio desaguando no mar, nuvem precipitando
Já foi chorada por outros olhos, por outros motivos
Já fez florescer e aguou jardins e já liberou angústias. Foi início, recomeço e ponto final
foi respiro no meio do caos, aliviou o meu caos
me trouxe esperança junto com o raiar do dia

29.5.18

Eu acho que finalmente entendi os finais


Não me interessam os aplicativos que resumem todos os livros do mundo em uma leitura de 12 minutos.
O resumo não me dará os detalhes, o gelado nas mãos, a ansiedade gostosa de torcer por uma personagem e sofrer junto com um ela. Não me permite olhar pelas minhas perspectivas e nem que eu marque com post-its as frases que fizeram meu coração parar de bater por um milésimo de segundo.

23.5.18

Ecstatic Shock


A onda de energia que surge ao olhar de relance para alguém que você gosta.

Eu lembro o exato momento em que você disse que ia me  fazer a mulher mais feliz do mundo. Eu tinha acabado de contar um dos fatos mais difíceis que já aconteceram na minha vida e como foi duro te falar, me paralisou, como um choque. Eu estava tão despedaçada naquele momento, sei que você também, por outras questões. Cada um com as suas bagagens emocionais, seus medos, seus machucados, seus nunca-mais-passo-por-isso, suas pulsações elétricas e eletrizantes. Ainda assim, com tantas reservas, a gente decidiu por tentar viver aquilo que estávamos sentindo, sem saber muito bem. Você de um jeito mais reservado, diria até que desconfiado, e eu entregue, como sempre fui em tudo na vida.

20.5.18

Herança-lume


Eu tiro uma foto e não reconheço aquele rosto
exausto, exaurido, exato
as imperfeições, as marcas, as espinhas, as manchas, as olheiras
o sorriso forçado
a maquiagem escorre, faz meus óculos deslizarem rapidamente pelo meu nariz, sujam as minhas mãos
me incomoda, já não serve mais. Eu anseio por lavar, por tirar a tinta que já não esconde nada
A noite mal dormida, o mundo meio cinza, o quente dos pensamentos que passam pelo corpo, a raiva, o alívio, a liberdade, o incômodo, o furacão indomável

14.5.18

Estações


Eu vi o outono chegar e nem ao menos pude controlar o cair incessante das folhas. 
De verdes tornaram-se amarelas e logo descolaram. Voaram. Eu as perdi, eu não podia mais segurar e soltei, já não me pertencia. Era eu e era maior do que eu, além de mim. Por tanto tempo eu segurei e agora eu precisava soltar. Mesmo com que todo o meu esforço, mesmo com as mãos calejadas e doídas de fazer força, eu aceitei. E deixei ir. Não sabia o que fazer com aquilo. As folhas chegavam ao chão. Leves, sutis, depois de dançar com o vento. Em amarelo e laranja vibrante. Era tão bonito, dava tanto medo. Era muito. Não sobrou nenhuma folha minha, não restou nada.

5.5.18

Queda livre


Meus ossos doem como se tivessem sido esmagados pelos pesos da minha culpa.
É uma dor fria, que incomoda no mínimo movimento
É como se meus ossos resistissem em mudar da posição que eu já não pertenço mais
O corpo já não alcança a velocidade da mente, que trabalha em regime 24/7
Não descansa não cessa não para
Não sei se isso ainda sou eu. Não sei se ainda tenho algum controle
Sobre as pernas pesadas
Sobre o suspiro profundo que machuca os ossos da minha costela

26.4.18

Oração à Deusa


Eu sou a inocência de Core
e a escuridão de Perséfone*
A dualidade que existe por dentro
é a minha característica mais autêntica