13.4.19

A porta do meu guarda-roupa caiu


A porta do meu guarda-roupa caiu
Começou a emperrar, de repente não tinha mais como olhar o que tinha dentro sem desencaixa-lá dos trilhos
Eu segurei o peso e tirei
A bagunça das roupas dentro tá exposta pra eu poder ver
Os cabides, calças e shorts jeans, blusa e camisas, calcinhas e pijamas
Tudo no emaranhado que eu consigo entender
Às vezes coloco tudo fora de uma vez, às vezes enfio tudo dentro

O lugar onde estão os meus itens mais íntimos
que me vestem

31.3.19

In chaos


Tudo saiu do mesmo controle e mesmo assim tá tudo bem

Não lavei o cabelo, as olheiras tão fundas
As conversas do WhatsApp se acumulam, assim como os episódios das séries que acompanho
O trabalho de conclusão de pós está por começar há meses
Os empregos tomam boa tarde da minha energia
Hoje é sexta-feira e eu tô estafada, mas amanhã ainda tem expediente
Não consigo parar pra meditar ou escrever, nem ao menos refletir sobre as questões
A rotina me engoliu, mastigou, cuspiu e disse que não me queria mais

13.3.19

Meio do teu nome


Hoje eu chamei outra pessoa pela metade do teu nome
Eu chamei e me veio à memória
De todas as metades que a gente foi
da nossa incapacidade de ser além do medíocre
E até nessa hora fui meio tristeza, meio alívio
Meia culpa e meia saudade

16.2.19

O custo infinito daquilo que não custa nada


"(...) Mas não custa nada".

Essa frase acompanhou minha trajetória em família e ainda acompanha.
Arriscaria dizer que é uma herança de muitas gerações
Um fardo que me pesa os ombros

31.1.19

Minh'Aura


Eu vi o meu sol e dentro dele um lindo camarim de teatro. Clima retrô, nostalgia e uma menina sentada na cadeira da maquiagem. Era eu. Em momentos, cresci tão rapidamente que já não cabia mais naquele espaço. Então eu me mudei: era um salão de beleza. Muitos espelhos e espaço vazio. Só tinha eu, mas agora me cabia. Eu pensava na solidão, confusa e ao mesmo tempo libertadora. Tão minha. No fundo eu tava bem. Eu tava melhor do que sempre.

22.11.18

Minha história é sobre não ser a Barbie


Quando eu era criança, por volta dos cinco ou seis anos, eu queria ser a Barbie. Eu acreditava nisso de uma maneira tão genuína que era certo, na minha cabeça, que um dia eu teria os cabelos loiros com mechas laranjas que eu pintava num livro da boneca que a minha madrinha me deu.

18.11.18

De para mim (remetente e destinatário)


Eu já não sou aquela que pensava que pra amar tinha que sacrificar tudo, inclusive a mim mesma, que acreditava que amar era sinônimo de abuso e de sempre abrir mão. Pouco resta daquela que só sabia ser par, que só sabia acompanhar, que queria o outro em detrimento de si mesma, em qualquer relação que fosse. Segundo lugar era mais que o suficiente (às vezes nem essa posição eu cobrava), era só
Dar
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