4.2.17

Nem tudo o que a gente quer é o que nos faz bem

Eu sou uma pessoa extremamente nostálgica. Vejo uma foto, uma frase, uma música que logo me remete ao passado - nem sempre lugar que quero estar. Sinto cheiro, texturas, sentimentos Me senti assim ainda agora, quando me memórias de uma época que, por muito tempo, pensei sentir saudades me tomou os pensamentos. Hoje eu entendo que tudo o que vivi naquele momento me fez mais mal que bem.


Entenda, eu não quero ser injusta. Ainda que me custe admitir, alguns pensamentos ainda me trazem o sorriso nos lábios. Afinal, quase toda situação ruim tem também suas lições e lembranças valiosas. Mas a verdade é que o saldo da história toda é negativo. Demorei muito pra entender o quanto tudo me fez mal, demorei mais ainda pra digerir a raiva que eu senti depois do entendimento.

Sou teimosa e isso já me fez sofrer muito. Já passei por cima do que eu (res)sentia em nome de uma teimosia que trouxe dor pra mim e pra quem me cercava no momento. Já perdi por achar que era muito forte, por engolir a seco o gritos presos na garganta, por ter definhado um pouquinho cada vez que abri mão de mim em nome de sei-lá-o-quê. Me perdi por ignorar o meu sexto sentido e acreditar que estava em busca de algo que me faria realmente feliz.

Se o tempo voltasse, provavelmente eu faria tudo de novo. Porque eu não saberia do que sei hoje e teria que errar novamente pra saber. Tudo bem, eu não tenho vergonha e nem me escondo das minhas escolhas, mas às vezes ela vem feito kiwi verde e não dá pra evitar a careta causada pelo azedo. Quis muito e lutei por isso, mesmo sabendo que o meu desejo não me faria e já não estava me fazendo bem. Chorei mares pelo que perdi e também pelo que ganhei.

Mas, como acontece em todas as situações da vida, eu aprendi. Meus limites, minhas falhas meus defeitos, hoje eu sei que essas características não me fazem pior que ninguém, apenas me fazem eu. Falar pra não engasgar, mas resiliência também é qualidade. Não sinto mais raiva, dor, culpa ou saudade. Me sinto melhor comigo mesma e mais grata pelas relações que construí e cultivei.

O kiwi verde ainda me rende inúmeras caretas, mas o azedinho eu acho bem mais gostoso.
E até que fica doce no final da mordida.

7 comentários:

  1. Nossa que texto maravilhoso. Por alguns momentos tive a impressão de que falava de mim. Só caia na real quando as palavras em feminino surgiam. Mesmo assim me senti real nesse contexto que passaste com maestria. Obrigado pela oportunidade de ler algo tão forte em mim e que sei não é só meu. Abc

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Minha mãe é artesã.. ela mexe bastante com materiais de artesanato.
    Ela comprou um tipo de forro que tem um cheiro da minha infância, me veio uma tristeza, a nostalgia as vezes me deixa triste kk

    No momento estou na fase de ficar pensando muito. E isso sinceramente não tem sido bom!

    http://minhaformadeexpressao.blogspot.com.br/

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  4. As lembranças servem para isso não? Nos pegar nos momentos de fraqueza para aprendermos algo, ou até mesmo provocar tais momentos para mostrar que precisamos aprender algo. Mas também nos estimula, acaricia, engraçado não?

    Azedo? Okay, meio agridoce eu diria :D

    xoxo

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  5. Estou extremamente nostálgica após a grande perda da minha vida (a morte da minha mãe no ano passado). Sempre fui muito de pensar sobre tudo que já vivi e não vivi. Agora, ainda mais. E as lembranças nos ajudam a lembrar quem somos e o que queremos. Não podemos viver do passado, mas não podemos esquecer o que tornou-se, ao longo do tempo, precioso para nossa alma. Beijos e um ótimo feriado.

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  6. Realmente há coisas na vida que nos faz mais mal do que bem. Ai...não nos damos conta , mas isso faz parte da vida! Eu também sou bem teimosa, perdi a conta de quantas vezes quebrei a cara, mas saber que não me arrependo?
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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  7. Momento muito curioso e muito especial. Há três anos, tu escreveste um comentário em uma postagem minha no blogue Overture. Eu a estava lendo agora há pouco. Não comentamos mais no blogue um do outro, e eu resolvi vir ver quem era aquela moça 'loirinha' do perfil antigo, e aqui me deparo com uma recifense morena, cuja identidade só se mantém porque o sorriso é o mesmo cativante de sempre. Feliz por saber que estás escrevendo. Eu estou num blogue somente meu. Seguindo-te. Um abraço
    Luc
    P.S. Ah, sim, eu sou extremamente nostálgico também!

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